Feliz Natal e Paz

Feliz Natal a todos os meus amigos que prestigiaram a minha página. Agradeço-lhes pelo incentivo.

Merry Christmas to all my friends who attended my page. Thank you for the encouragement.

The Merode Altar Piece - Robert Campin (Detail)

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Idade dos Anjos

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Toda a história da Idade Média esta exposta nas suas ilustrações, nas suas iluminuras. Observe atentamente aos detalhes fornecidos pelos traços dos pintores, iluminadores, escribas medievais. Ansiosos, ousados e talentosos, eles nos deixaram um legado para que buscássemos entender, nas suas obras, o que viria pela frente, no futuro. O passado estava contado, mas também nos deixaram muitas perguntas ainda a serem pesquisadas e decifradas. É preciso que busquemos essas respostas para não decepcioná-los. Só se faz isso através da paixão, da capacitação e da observação. Precisamos, em outras palavras, resumindo, de sensibilidade. Poucos a possuem e os que têm o privilégio de usufruí-la necessitam exercitá-la. Idade das Trevas, que nada, Idade dos Anjos. De dificuldades, talvez, mas todos os períodos históricos tiveram e nunca deixarão de ter. A singularidade esta nas mensagens. As imagens medievais nos disseram como foi no passado e como deveremos agir no futuro. Como proceder? Somente observe os manuscritos, as iluminuras, os livros das horas, as pinturas e deixe seu imaginário funcionar. Benditos segredos e incógnitas que deixam o presente inquieto para decifrar o medievo. Pois, “a pessoa é a última solidão do ser”.

Paulo Edmundo Vieira Marques

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Decifrando Iluminuras

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A Construção de Veneza, Sycambria, Cartágo e Roma. Master of the Geneva Latini Jean de Courcy, Chronicle of the Bouquechardière, Rouen, ca. 1450-1475-BL. Harley Ms.4376,fl.150

Quando vislumbramos uma iluminura, nem imaginamos os mistérios que essas belezas contêm. Os iluminadores eram sagazes artistas, e deixavam para futuros pesquisadores e observadores analisarem e decifrar seus segredos. Provavelmente cada um tenha a sua interpretação sobre as mesmas. A minha e de outros historiadores sobre a iluminura acima é a seguinte: esta Iluminura retrata uma história francesa do mundo. Documenta a construção de quatro grandes cidades do Império Romano e de como seus fundadores lendários as veem.
O colorido brilhante e a fantasia artística dos edifícios revelam as qualidades e o conhecimento que o iluminador teve em descrever esta cena. Em vez de tentar recriar a aparência atual desses lugares e sua arquitetura, ele utiliza as formas da arquitetura gótica europeia do Norte a partir de sua visão. Talvez nem conhecesse essas cidades, mas através, possivelmente, de relatos de contos, de lendas e de outros manuscritos e iluminuras, ele, no seu imaginário, desenha e ilustra as representações de quatro cidades que foram muito importantes, vide anotação abaixo sobre Sycambria, no Império Romano.
A beleza das iluminuras é indiscutível, mas em seus traços há sempre alguma descoberta a ser feita. *Sycambria, a cidade mistérios dos germanos, deveria ser mais bem estudada e explorada. Conhecemos as outras cidades, mas a iluminura acima nos diz que devemos nos infiltrar nos conteúdos artísticos dos iluminadores, pois nos conta a história medieval e, por conseguinte o posterior, o futuro.

*Um trabalho anônimo de 727 chamado Liber Historiae Francorum afirma que após a queda de Tróia, 12.000 troianos liderados por chefes de Príamo e Antenor se mudaram para perto do rio Tanais, estabelecendo-se na Pannonia ao lado do Mar de Azov, e ali fundaram uma cidade chamada Sycambria. Uma variação dessa história também pode ser lida nos inúmeros manuscritos medievais, que citam tal cidade frequentemente, principalmente na literatura de contos de feitos heroicos de cavaleiros.
Historiadores, incluindo testemunhas oculares como César, deram-nos respostas concretas sobre Sycambria, situada no delta do rio Reno. Os arqueólogos confirmaram o assentamento permanente de povos naquela localização. O lado mítico de Sycambria surge fortemente, como uma cidade cheia de mistérios, a partir dos francos, incluindo-a em uma geografia incorreta a dos arqueólogos. Alguns estudos recentes de historiadores como; Ian Wood e Wallace-Hadrill, rejeitam a cidade como uma lenda-histórica. Mas durante a Idade Média Sycambria, para os medievos, foi uma cidade germânica repleta de histórias fantásticas e dignas de serem citadas em vários manuscritos e iluminuras medievais em virtude de sua singularidade.

Paulo Edmundo Vieira Marques

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Carros e Vagões Medievais


Manuscrito Bodleian Library, século XIV, vagão para transporte de armas, soldados e até cadáveres. O vagão de guerra.

Quando, na História, apareceram os transportes como, carretas (veículos de duas rodas) e vagões (veículos de quatro rodas) foram de extrema importância para os homens, para o comércio, para as trocas enfim, com a comunicação com outras pessoas. A sua eficiência com relação aos animais usados sem uma tecnologia de transporte, foi enorme, inexplicável. O historiador Jeffrey L. Singman escreve que uma carroça de quatro rodas com um par de cavalos poderia transportar mais de 1.200 Kg. por cerca de 30 km por dia. Os carros mais antigos, de transportes de homens e mercadorias, usados de forma razoável, foram os trenós usados entre 6.500 e 7.000 a.C. pelas tribos nativas da Europa Central e Oriental.

A ascensão do transporte sobre rodas, em torno de 3000-5000 a.C. teve início em lugares onde existiam fontes suficientes de madeira e aonde a tecnologia do seu corte era existente e avançada no que concerne a sua confecção e moldagem no formato de rodas. Inicialmente, as rodas eram sólidas em vez de raiadas. As rodas eram em forma de peças planas de madeira. As rodas poderiam ser um pedaço sólido de madeira, também poderiam ser encaixadas a partir de duas ou três peças, dependendo do tamanho da árvore original e o tamanho da roda final que se desejasse ao final do trabalho. Apenas ferramentas básicas, como um machado eram necessárias para produzir rodas de certa qualidade e durabilidade. A roda ou o eixo (na forma de toras, colocadas sob um objeto pesado para ajudar a rolá-los) foi a primeira atitude tomada pelo homem para confeccionar um transporte para levar cargas ou pessoas. Ainda hoje isso é objeto de discussão dos pesquisadores. No entanto, a combinação das duas rodas unidas por um eixo se mostrou extremamente eficiente. Os primeiros projetos fixaram os eixos com as rodas, lubrificadas por óleos animais*, que giravam sobre eles, proporcionando menos atrito do transporte sobre o solo.


Manuscrito século XIV, Morgan Library, o carro de bois a direita acima no auxílio à construção de igrejas.

Bandas de ferro, substituição e colocação de revestimentos de couro, introduzidos ao redor das rodas melhorou a longevidade da madeira. O transporte, a locomoção de animais e carroças puxadas por bois eram comuns no Egito, Grécia e Roma. Este meio, também, por muito tempo, foi usado na Idade Média. A grande alteração, no entanto, foi que o prestígio dos carros de bois diminuiu, seriam usados pelos camponeses em longa escala, para todo o tipo de afazeres no campo. Na cidade, nas classes menos favorecidas também foi de grande utilidade. Auxiliando ferreiros, comerciantes monges entre outros. A nobreza medieval e a realeza viraram-se para os cavalos para puxarem os seus carros. Geralmente cavalos de uma raça de grande porte, fortes e robustos para a sustentação de um transporte que requeria muita força. Por muito tempo a maioria da sociedade medieval confiou seu transporte aos bois e eles fizeram um trabalho admirável, dando sustentação para o progresso do comércio da Europa Central. Mas a população acabaria cedendo aos cavalos, aos animais de potência como eram chamados. Sua maleabilidade e rapidez influenciaram enormemente a escolha geral do povo medieval que se locomovia que batalhava levando armamento para as inúmeras guerras e que principalmente comercializava.
O uso de carros e vagões na era medieval, como o historiador John Langdon diz: assumiu um papel importantíssimo na difusão de todo o espectro econômico do mundo medieval. A diferença do transporte fez a diferença para o progresso europeu medieval. Antes do século XII, as carroças, a maioria era puxada de arrasto pesado feito por bois.


Manuscrito do século XIII, Morgan Library, 0 vagão no incremento comercial e das trocas.

Após este período, os cavalos tornaram-se os animais de serviço dominante. O interruptor de potência, no entanto, necessitava uma redução no tamanho e capacidade para a sua flexibilização e manuseio. Carros puxados a cavalo tinham cerca da metade da capacidade daqueles puxados por bois.
No caso de uma carga especial, especialmente pesada, como madeira ou carvão, os bois predominaram no transporte de carros e vagões. Veículos com cavalos e bois tiveram, na sua maior parte, duas rodas. Os vagões medievais, tão lembrados e vistos em filmes e livros, preferencialmente de quatro rodas, eram reservados para o transporte rodoviário, via florestas. Seguidamente assaltados por bandoleiros, ficaram famosos em cenas de filmes. Transportavam de tudo, na maioria das vezes alimentos, mas por ter a possibilidade de se esconder dentro deles, também era a morada preferida de alquimistas e bruxas. Lenda ou não foram muito usados por médicos e curandeiros medievais. Era pau para toda a obra, ou a Kombi daquela época, assim se poderiam resumir os famosos vagões.


Vagão medieval para a utilização de profissões como médicos, comerciantes, alquimistas etc.

O problema do transporte de quatro rodas foi que, apesar de eixos com giro frontal terem sido inventados por volta de 500 a.C., a tecnologia não se expandiu, foi lenta e demorada. Logo no início do período medieval, o giro frontal de eixo não existia, tornando-se quase impossível controlar o animal. O exercício para mantê-lo requeria grande força e destreza. A mudança ocorreu depois de cerca de 800 anos, pelo menos na Europa Central. Sem dúvida, uma demora demasiada para uma mudança tecnológica mais avançada, o que nos leva a conclusões de que as repetidas invasões bárbaras estagnaram melhores inovações nas regiões afetadas pelos choques. Vagões com eixos de giro não seria comum na Inglaterra até o século XVII. Dirigir carros ou vagões medievais foi uma experiência muito instável e dolorosa, era um sacrifício qualquer tipo de viagem, e a maioria delas eram longas naquele período, porque os veículos não tinham suspensão ou qualquer tipo de amortecimento, pelo menos até o século XIV, quando algumas suspensões em vagões de transporte, feitas com molas de ferro foram introduzidas no Flandres, atuais Países Baixos.
Um transporte, um carrinho que pouco se fala e se escreve sobre ele, é o carrinho de mão. Usado especificamente para o transporte de mercadorias como alimentos, ferramentas etc., foi um aliado muito importante para o homem no medievo. O carrinho de mão é de origem medieval e não tem nenhum antecessor romano. Ele, também, foi o único veículo que era empurrado em vez de ser puxado. As iluminuras, as representações e textos de manuscritos datam do século XIII, mas a sua tecnologia, sem dúvida antecede a essas fontes.

* Eram usados para facilitar a locomoção do transporte banha de porco, óleo de peixe, de oliva entre outros e de variações distintas. Conta-se na Idade Média, século XI, em Bruges até mel se usava para tal fim. Nas Cruzadas o óleo preferencial para o transporte das tropas era o de javali, por ser espesso, mas de excelente viscosidade e penetração nos eixos e extremamente duradouro.


Réplica de um vagão medieval para transporte de doentes e feridos.

Paulo Edmundo Vieira Marques

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A Investidura de um Príncipe no Século XII

Eis tal como é contada nas Chroniques des comtes d”Anjou et des seigneurs d’Amboise, a investidura de Geoffroy Plantageneta no Pentecostes, a 10 de junho de 1128, em Roen.
Espero que com essa pesquisa e análise, eu tenha a possibilitado de auxiliar o meu amigo e escritor Sergio Gallina em suas peregrinações investigativas sobre esse período para a confecção de sua próxima obra.

 


Manuscrito século XII. Investidura príncipe, o saber e o conhecimento. BNF. Fla.43.

“Ao nascer do dia, segundo o costume relativo à recepção dos novos cavaleiros, preparou-se um banho. Quando o rei (da Inglaterra) soube pelo seu camareiro que Angevin e os que tinham vindo com ele haviam terminado as suas abluções* , mandou-os ir à sua presença. Após ter lavado o corpo e saído do lugar da ablução, o nobre descendente do conde de Anjou foi vestido com uma camisa de linho; por cima levou um traje tecido a ouro e uma cota curta cor de púrpura. Vestiu calções de seda e calçou sapatos com imagens de pequenos leões de ouro, inclusive no salto. Os seus companheiros, que esperavam receber com ele a cavalaria, estavam todos igualmente vestidos de linho e púrpura. Assim enfeitados, produzidos com tais adornos, aliando a brancura do lírio à púrpura da rosa, o futuro genro do rei (da Inglaterra) abandonou os seus aposentos privados e surgiu em público, junto com a sua nobre companhia. Foi então que trouxeram os cavalos e as armas; entregaram-nos a cada um, segundo as suas necessidades. A Angevin, entregaram um magnífico cavalo da Espanha, tão rápido, dizia-se, que ultrapassava amplamente na corrida os pássaros voando. Revestiram-no de uma incomparável de malha dupla, que nenhum golpe de lança ou dardo podia trespassar. Vestiram-lhe também calções de dupla malha de ferro. Ajustaram-lhe as esporas de ouro; penduram-lhe ao pescoço um escudo pintado dom dois pequeninos leões de ouro; na cabeça colocaram-lhe um capacete brilhante com numerosas pedras preciosas, tão bem temperado que nenhuma espada podia furá-lo ou amolgá-lo. deram-lhe uma lança de freixo**, com ponta de ferro do Poitou. Finalmente, entregaram-lhe uma espada retirada do tesouro real, com a marca antiga do famoso ferreiro Véland, que outrora a forjara com grande cuidado através de múltiplas operações e zelo. Assim armado, o nosso cavaleiro, que cedo viria a ser a flor da cavalaria, monta a cavalo com uma agilidade extrema. Que mais dizer? Nesse dia, em honra dos novos cavaleiros e em alegria, passou-se todo o tempo em exercícios guerreiros; o regozijo em honra dos novos recrutas duraram sete dias inteiros no palácio real”.

*Purificação pela lavagem de todo o corpo ou parte dele. As abluções parecem ser quase tão antigas quanto a própria adoração exterior. Moisés as ordenou, os pagãos as adotaram, e Maomé e seus seguidores fizeram que elas perdurassem: dessa forma elas têm sido introduzidas entre muitas nações, e compõem uma parte considerável de todas as religiões supersticiosas. Os sacerdotes egípcios tinham suas abluções diurnas e noturnas; os gregos, suas aspersões; os romanos, suas purificações e lavagens; os judeus, sua limpeza de mãos e pés, além de seus batismos; os antigos cristãos praticavam a ablução antes da comunhão, o que a igreja romana ainda conserva antes da missa, algumas vezes depois; os sírios, coptas, etc., têm suas lavagens solenes na sexta-feira da Paixão; os turcos, suas abluções mais e menos importantes, etc.
A purificação, entre os romanos, era uma cerimônia solene pela qual eles purificavam suas cidades, campos, exércitos ou o povo, depois de qualquer crime ou impureza. As purificações poderiam ser realizadas por fogo, enxofre, água ou ar; o último era aplicado por ventilação, ou abanava-se aquilo que seria purificado. Todas as classes de pessoas, com exceção dos escravos, poderiam realizar algum tipo de purificação. Quando uma pessoa morria, a casa devia ser limpada de uma maneira específica; pessoas recém casadas eram aspergidas com água, pelo sacerdote. As pessoas, algumas vezes, em suas purificações, corriam nuas várias vezes pelas ruas. Raramente havia algum ato realizado que no começo e final do qual alguma cerimônia não era exigida para purificarem-se e acalmarem os deuses.

**O freixo (Fraxinus excelsior) é uma árvore da família das Oleáceas, a mesma família a que pertence a oliveira.


O Livro dos Príncipes, Bodleian Library- Manuscripts. Séc. XIV

Paulo Edmundo Vieira Marques

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Fontes Históricas

Um das fontes, das muitas que usei, para a confecção do meu trabalho sobre os Torneios Medievais. Aqui o foco é para René d’Anjou o patrocinador do Livro que origina o meu estudo. O patrono da Provença. Grande entusiasta dos torneios medievais e das artes. O cavaleiro das artes.
Rei René I, o Bom, pintura do século XV


http://gallica.bnf.fr/ark:/12148/btv1b6000466t/f1.planchecontact


As Armas de René d”Anjou o Rei Bom


As cores do reino de d”Anjou

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Pesquisando sobre o cotidiano das crianças no medievo – Séculos XIII, XIV e XV. Aguardem

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17 de novembro de 2012 · 3:28 am