A Pintura a Óleo – Uma das Grandes Inovações do Medievo

Altarpierce de Ghent, cidade flamenga, 1432. Óleo 350×461 cm, localuizado no interior da catedral de St. Bavo.

Quero chamar a atenção para os leitores do meu blog para um fato significativo da nova mentalidade de que se possuído o homem europeu no medievo. É o fato de que a primeira grande inovação da pintura pré-renascentista tenha sido de natureza técnica, paralela ao emprego da pólvora, da bússola, do papel e da invenção de Gutenberg na arte da imprensa.É o processo de pintar a óleo que a Antiguidade e que o maior período da Idade Média não conheceram, a Renascença adotará e chegará aos nossos dias. Os pintores do passado haviam usado apenas as técnicas do afresco, da têmpera e da encáustica.

A encáustica é uma técnica de pintura , na qual o artista mistura cores em uma cera aquecida e derretida. Esta cera é aplicada na superfície a ser pintada; como é de secagem rápida, usa-se também colocar uma lâmpada ou outra fonte de calor sob o suporte da pintura; o calor amacia a tinta de cera, permitindo que o pintor obtenha vários efeitos de cor e textura. A encáustica era uma técnica muito usada na Grécia desde o século V a.C. até o século IX d.C., quando caiu em desuso. A reconstituição desta técnica foi possível em 1845, quando foi descoberta uma caixa de pintura encáustica no túmulo de um pintor em uma cidade francesa. Por não se deteriorar facilmente, a pintura permanece perfeita por vários anos. São famosos os retratos de múmias com este tipo de pintura. A palavra encáustica vem do grego, egkaustiké, que significa queimado.

A pintura a óleo consiste basicamente na dissolução dos pigmentos ou pós das tintas, constituídos de óxidos minerais, no óleo de linhaça refinado, que pode ser acompanhado de essência secativa. Em relação as técnicas que existiam é verdadeiramente revolucionário pela simplicidade da preparação, facilidade na execução, variedade dos efeitos expressivos, em particular da representação das texturas das diferentes matérias e nas gradações luminosas.

Permite com maior frequência, sem alterar a consistência da pintura, tantas correções quantas necessárias, além de interrupções demoradas na execução. Por estas e outras vantagens, a nova técnica difundiu-se na Europa, tornando-se preferida nos quadros de cavalete pela maioria dos pintores, aos tradicionais e laboriosos processos da têmpera e encáustica. Os mestres do renascimento, em todos os países, desde o italiano Leonardo da Vinci ao alemão Albert Durer, foram pintores de quadros a óleo. Uma exceção deve ser feita a Miguel Ângelo que não empregou a nova técnica. Considerava-a pelas facilidades de execução, própria para preguiçosos e mulheres.

A invenção ou o aperfeiçoamento da pintura a óleo tem sido objeto de controvérsias entre historiadores de arte. Muitos autores atribuem-lhe a invenção a dois artistas de Flandres, região na época constituída da Bélgica e Holanda, aos irmãos Hubert e Jasn Van Eyck !1390-1441). Foram notáveis não só pela invenção que lhes atribuem, como pelas qualidades artísticas, minucioso e incisivo realismo, poetizado pela sensibilidade aos efeitos luminosos, a a par de primorosa execução. Outros autores, no entanto, divergem. Atribuem aos irmãos Van Eyck apenas o aperfeiçoamento da técnica da pintura a óleo. O verdadeiro inventor, segundo esses autores, teria sido um monge um tanto misterioso, chamado Teófilo ou Rogkerus. Era ourives, pintor e vitralista, homem de muitas artes e saberes. Escrevera um tratado de arte, Diversarium artium schuedule, no qual se encontram conselhos e instruções sobre desenho, composição e receitas de tintas, misturas etc.

Invenção do misterioso monge alemão ou dos dois ir mãos flamengos, o fato é que a técnica do óleo rapidamente se difundia de Flandres aos demais países europeus, tendo sido logo conhecida e recebida com especial interesse pelos italianos, dadas as relações comerciais que a Itália mantinha com as cidades flamengas. A difusão da nova técnica entre os italianos teria sido obra de um mestre flamengo Roger van Der Weyden ou Roger de La Pasture !1397-1464), discípulo dos Van Eyck, que se demorara em Florença, nos meados do século, em viagem para Roma.

A virgem e a Criança, Roger Van Weyden, 1454, óleo sobre tela, Wysokość: 31,9 cm.

Segundo o historiador de arte italiano Giorgio Vasari (1512-1574), também arquiteto e pintor, celebrizado por seu livro, Vidas de \pintores, Escultores e Arquitetos Ilustres, no qual faz a biografia de numetrosos artistas italianos do XIII ao XIV séculos, Roger de La Pasture teria revelado o segredo da f´poumula do óleo ao florentino Domenico Veneziano (1410-1457), que o teria transmitido a Andrea del Castagno (1423-1457). Para ficar dono exclusivo da importante e prodigiosa receita, Castagno assassinara Veneziano. Durante muito tempo, acreditara-se história de Vasari, cujo livro depois se verificaria estar cheio de inexatidões, até que pesquisas nos arquivos florentinos revelaram ter a pretensa vítima falecido quatro anos depois do suposto assassino, desfazendo-se a versão do crime. Ao que tudo indica a verdadeira história, ou melhor a mais aproximada realidade, da difusão do óleo entre os italianos estaria no livro do mesmo Vasari. O divulgador da nova técnica teria sido Antonello de Messina (1430-1479). Antonello nascera na cidade siciliana de Messina, mas, estilisticamente, pertence à escola veneziana, pelas infl~encias que recebera de Giovanni Bellini (1430-1516), o fundador da escola veneziana renascentista. Estivera em Flandres de onde trouxera a fórmula do óleo, tornan do-a conhecida em veneza. Todavia, a obra flamenga a óleo que despertara maior entusiasmo e admiração dos florentinos, especialmente de Andrea Verrochio (1435-1488) e de seu discípulo Leonardo da Vinci (1452-1519), fora o tríptico A adoração dos Pastores, de Hugo van Der Goes (- 1482, pintada para o florentino Tommaso Portinari, repreasentante em Bruges do banco da família Médicis.

Hugo van der Goes, Adoração aos Pastores Portinari Retábulo (1475-1476)

As excelências da nova técnica poder ser avaliadas tanto por sua imediata aceitação na época quanto por seu generalizado emprego ainda em nossos dias. As pinturas foram de um esplendor ímpar que nos encantam até hoje de forma cativante, misteriosa, instigante. Ahhh, esses homens artistas do medievo que até os nossos dias nos contemplam com tanta beleza, muito, muito obrigado.

Obs: Este artigo foi escrito em homenagem ao meu filho primogênito Paulo Eduardo Scalzilli Vieira Marques, apreciador da boa arte. PEVM.

Detalhe -Antonello da Messina – Annunziata, (1475).

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